LUZ, CÂMERA E AÇÃO:
DE GRAÇA E NA PRAÇA

por Rodrigo Gontijo1

Na virada do século XIX para o XX, os filmes eram de curta duração, as projeções aconteciam em cafés e feiras de variedades e as imagens eram formadas por cenas do cotidiano e pequenos esquetes cômicos que levavam ao entretenimento. À medida que a linguagem cinematográfica se consolidou, por razões econômicas, o cinema se aproximou da arte nobre da época: o teatro. Os filmes passaram a ter a mesma duração das peças com narrativas mais sofisticadas e a sala de cinema seguiu a arquitetura do espaço dedicado às apresentações teatrais, tornando-se ambientes mais imersivos, o que facilitou a fruição e o compartilhamento das experiências. Nos dias atuais, muita coisa mudou. Diversas salas de cinema de rua fecharam e deram lugar às lojas, estacionamento e igrejas, e em cidades maiores, algumas migraram para os shopping centers e o preço do ingresso se tornou um tanto quanto salgado. Talvez, alguns que estejam lendo este texto, ainda se lembrem das risadas, medos e tensões compartilhados dentro de uma sala cheia, ou ainda, logo após a sessão, das longas conversas sobre os filmes assistidos, permeadas pelo calor do momento. E ainda, com a chegada das novas tecnologias, telas retangulares de led e plataformas de vídeo online e de streaming, a televisão tornou-se um espaço de exibição mais acessível e a boa parte da experiência coletiva se dissipou.

Pensar em uma curadoria de filmes para o CINEMA NA PRAÇA, projeto que resgata o prazer de ver filmes coletivamente em espaços públicos de 65 diferentes cidades do Paraná, do litoral ao nordeste do estado, foi levantar e relacionar produções que pudessem entreter, divertir, promover reflexões e também interações sociais entre pessoas de todas as idades.

A programação, composta por seis filmes, está organizada em 3 eixos. O primeiro, “Respeitável Público”, traz duas produções nas quais a itinerância do circo são determinantes para o desenvolvimento da narrativa. “O Palhaço” (2011), dirigido e protagonizado pelo ator Selton Mello, transita entre o drama e a comédia ao contar a história de um palhaço em crise que busca um sentido para sua própria vida. O filme foi eleito pela Associação Brasileira de Críticos de Cinema (ABRACCINE) como um dos 100 melhores filmes brasileiros de todos os tempos. Já no filme “Maria do Caritó”, comédia adaptada da peça teatral homônima de Newton Moreno e dirigido por João Paulo Jabur (2019), o circo surge na cidade para mudar os rumos da trama. A protagonista virgem, que todos enxergavam como uma santa, ao buscar por um marido, envolve-se com a trupe circense recém chegada na cidade.

O segundo eixo, “Busca por um Sonho”, é formado por dois filmes que colocam os respectivos protagonistas atrás daquilo que almejam. Apesar de possuírem linguagens e estéticas diferentes, “Colegas”, dirigido por Marcelo Galvão e “O Menino e o Mundo”, de Alê Abreu, foram lançados em 2013 e compartilham de personagens em deslocamento, o que faz da vida na estrada, uma metáfora da transformação. Os protagonistas de “Colegas” são jovens com Síndrome de Down apaixonados por cinema que, inspirados no filme “Thelma e Louise”, roubam um carro e partem rumo a Buenos Aires atrás de seus sonhos. “O Menino e o Mundo”, indicado ao Oscar de melhor animação em 2016, apresenta, a partir de traços simples e cores vibrantes, um garotinho que deixa sua aldeia em busca do pai que foi tentar a vida em uma metrópole.

E o terceiro bloco, que visa estimular a imaginação das crianças a partir de animações brasileiras, compartilha de personagens com vozes de atores renomados. “As Aventuras do Avião Vermelho” de Frederico Pinto e José Maia (2014) é inspirado no livro homônimo de Erico Veríssimo publicado em 1936 e conta a história de um menino sonhador que, ao ganhar um livro sobre um aventureiro, mergulha em uma viagem imaginária ao redor do mundo. O filme tem personagens com as vozes dos atores Milton Gonçalves e Lázaro Ramos. Em “Lino – Uma Aventura de Sete Vidas” o diretor Rafael Ribas (2017) nos conta a história de um animador de festas, que cansado do trabalho, contrata um feiticeiro que o transforma no próprio gato gigante que representava. Os personagens cativantes trazem as vozes de Selton Mello, que tem um filme selecionado nesta mostra, e também da atriz Dira Paes.

E por meio de uma enquete, o público poderá escolher um dos seis filmes, de qualquer um dos eixos, que gostaria de ver e obra mais votada será exibida na praça. Desta maneira, pretendemos retomar a essência do cinema ao assistir aos filmes coletivamente, compartilhar experiências nas sessões escolhidas e prestigiar o cinema brasileiro.

 

Venha para a praça, é de graça!

PRODUÇÃO

REALIZAÇÃO

PROJETO APROVADO PELA SECRETARIA DE ESTADO DA CULTURA – GOVERNO DO PARANÁ, COM RECURSOS DA LEI PAULO GUSTAVO, MINISTÉRIO DA CULTURA – GOVERNO FEDERAL